Por Jordana Barbosa
Quando foi que você começou a se sentir bonita? Eu lembro que eu já era mãe e estava chegando aos 30 anos. Não foi de repente. Passei anos aprendendo como cuidar de mim; passei anos lendo e ouvindo outras mulheres negras pra aprender como ser uma mulher bonita, ou melhor, como aprender a me sentir uma mulher bonita. Beleza é um conceito inventado e, com esse breve histórico da beleza negra, você vai entender que todos nascemos lindos, mas muito rápido nos dizem que a beleza pertence a outras pessoas.
Quando penso na história da beleza negra, lembro da primeira vez em que percebi que meu corpo era lido de um jeito diferente, oscilava entre a falta (onde não se adequa) e o excesso (onde é hipersexualizado). O cenário tem mudado ao longo dos anos, mas quando eu era adolescente e observava revistas, propagandas, programas de TV e brinquedos, eu entendia que eu não pertencia e precisava fazer alguma coisa. Para muitas pessoas negras, esse momento de reconhecimento é íntimo, doloroso e solitário.
Segundo a pesquisadora Amanda Braga, beleza é um conceito, uma invenção que muda conforme o tempo, a política, a mídia, o consumo e a lógica colonial. Ela funciona como controle social, moldando a forma como enxergamos nosso corpo e o corpo do outro. E, como toda ferramenta de controle, também serve ao capitalismo. Quem tem mais de 30 anos viu isso acontecer de forma marcante: as próteses de silicone que dominaram os anos 2000 e agora são retiradas para dar lugar ao “natural”; a magreza extrema dos anos 1990; as harmonizações faciais; as lipoesculturas. Quem não se lembra das paquitas extremamente loiras dizendo às meninas negras que não tinha espaço para elas? É a ausência de pessoas negras apenas para confirmar o que as paquitas deixavam no ar.
O conceito de beleza é uma produção histórica, um produto da memória que vai ganhando significados ao longo do tempo da existência da humanidade. Ao longo dos séculos, a ideia de beleza foi utilizada para legitimar comportamentos e organizar hierarquias. No século XVIII, a beleza física era vista como reflexo de virtudes morais. O “belo” era bom e confiável; o “feio”, associado ao vício e à maldade. Mas se pensarmos nisso, uma pergunta inevitável surge: onde as pessoas negras se encaixavam nessas categorias?
A resposta já estava dada pelas estruturas raciais da época. No imaginário europeu, o corpo negro não era visto como civilizado e, portanto, não era visto como belo. O corpo negro era desejado como lugar do fetiche e da sexualidade alheios, não respeitado. O corpo negro era visto como lugar de força de trabalho, não como espaço para delicadezas. O mau cheiro associado ao corpo negro, mas afinal, esse era o corpo do trabalho e nada mais.

![]()
Saartjie Baartman - Vênus Negra , imagem disponível BBC News
Esse contraste aparece de forma evidente quando lembramos da pintura “O nascimento de Vênus”, de Botticelli, símbolo do ideal de feminilidade branca, pura e harmoniosa. Poucos séculos depois, surge a figura de Saartjie Baartman, conhecida como Vênus Negra — uma mulher sul-africana da etnia Khoisan, levada à Europa e exibida como espetáculo em feiras e zoológicos humanos. Após sua morte, seu corpo foi dissecado e exposto no Musée de l’Homme, em Paris. E a diferença entre os corpos das Vênus fica nítida e gritante. A autora ainda afirma que essa distinção demarca uma diferença racial em que o corpo negro é tomado como grotesco, monstruoso, anormal e selvagem em oposição ao corpo branco belo, civilizado e com virtudes morais. Aparentemente, a vinculação entre beleza e virtude era um evento conveniente e modulável.
Durante a escravidão, produtos de cuidados e higiene pessoais eram itens de luxo para pessoas negras. Sabonetes, shampoos, hidratantes eram raridades. O que chamamos de indústria da beleza, quando pensou na população negra, de vários países, se iniciou como um corretivo a compleição, ou seja, as características físicas e os cabelos africanos. Veja que, no final do século XIX e no início do XX, os produtos fabricados tinham como objetivo clarear a pele, fazendo com que ela fosse mais branca, limpa, sem defeitos. Já para os cabelos, eles precisavam ser lisos, domados, com “boa aparência”. Todos os esforços voltados para a aproximação do padrão de beleza branco, aqui já temos a certeza de que é um padrão inalcançável.
Entre 1900 e 1920, marcas como Pond’s, Palmolive, Lux, Bourjois e a futura Avon consolidaram a ideia de “nova beleza”, profundamente alinhada às teorias eugenistas. A brancura passou a ser vendida como sinônimo de saúde, pureza e progresso. Mas para mulheres negras, cuidar-se nunca foi apenas estética. Como afirma a pesquisadora Giovana Xavier, ter sabonete, perfume, espelho e água para se lavar após jornadas extenuantes de trabalho era, muitas vezes, uma pequena revolução pessoal — uma afirmação de humanidade num mundo que insistia em negar.
Giovana Xavier detalha um pouco o mundo da cosmetologia. Nos Estados Unidos, no pós-abolição, passou a existir uma “doutrina da integridade racial”, ou seja, uma pessoa negra teria que ser 100% perfeita, tanto em aparência quanto em comportamento. E, junto com isso, a ideia de que, se fosse atingido o padrão de perfeição, seria possível se integrar no mundo branco, ser aceito e até progredir financeiramente. Um dos passos para alcançar o objetivo seria corrigir a compleição, esconder os traços africanos e negar a própria identidade.
A indústria farmacêutica e cosmetológica vê uma grande oportunidade para lucrar. De acordo com a pesquisadora Giovana Xavier, nos Estados Unidos, as propagandas dos clareadores ou bleachings prometiam melhores oportunidades profissionais e as de produtos capilares falavam sobre uma imagem pública respeitável. Os produtos custavam entre US$ 0,25 e US$ 0,50 na véspera dos anos 1900. E ainda hoje essa indústria movimenta bilhões de dólares anualmente com previsão de atingir US$ 16,42 bilhões em 2032. E afinal, quem não quer ter melhores empregos e ser respeitada?
Essa busca estética teve um preço alto. Clareadores feitos com soda cáustica, mercúrio, amônia e outras substâncias agressivas causaram queimaduras, cicatrizes e mortes. A indústria culpava as consumidoras pelos danos, como se a necessidade social de parecer mais próxima do padrão branco não fosse a raiz do problema. O alisamento capilar, por sua vez, tornou-se quase obrigatório: mais do que estética, era estratégia de sobrevivência, uma forma de alcançar a chamada feminilidade “respeitável”.
Esse cenário começa a mudar com força a partir da década de 1960, quando o movimento Black is Beautiful explode nos Estados Unidos e reverbera pelo mundo. Cabelos naturais ocupam as ruas, o Black Power se torna símbolo político e a frase “Negro é lindo” inaugura uma virada estética e cultural. Mas essa virada também traz tensão: pessoas que passaram a vida inteira tentando se adequar ao padrão branco agora lidam com a possibilidade e principalmente com o medo de assumir sua negritude e ver uma nova geração assumindo a própria negritude de forma plena e com orgulho.

Movimento Black is beautiful, imagem disponível em Geledés
Não é uma coincidência que Black is beautiful ganha tanta força na década de 1960. É nesta década que os movimentos pelos direitos civis e pelas independências africanas ganham força, correm o mundo e conseguem aliados. É impossível se conseguir liberdade, ser independente se você quer se parecer com o seu algoz, seja em comportamento ou em aparência. Black is beautiful tinha como objetivo combater os padrões de beleza brancos e valorizar as heranças africanas. Ao mesmo tempo que causa uma grande revolução estética e um momento de profunda troca com o continente-mãe e, finalmente, a beleza negra começa a ser enxergada, desejada e importada pelas próprias pessoas negras.
No livro Casa das Estrelas, que é como um dicionário feito por crianças, organizado por Javier Naranjo, a palavra espelho é definida por crianças de 6 a 9 anos. As definições são às vezes filosóficas. Espelho é a sua “sombra”, mas pode ser também “quando uma pessoa vê o mesmo rosto”, ou, ainda, “o lugar onde olho minha beleza”. Quando você se olha no espelho e vê o mesmo rosto todo dia, você encontra beleza neste rosto que se apresenta e é revelado?

Lélia Gonzalez ao longo dos anos, imagem disponível em El País
Depois de sabermos que não existem coincidências ou aleatoriedade para definir o que é beleza, fica até fácil perceber que cuidar da aparência nunca foi simples para pessoas negras. O que, para outros grupos, pode parecer vaidade ou estilo, para nós sempre esteve atravessado por história, dor, resistência e sobrevivência. O que para algumas pessoas é moda, como usar o cabelo cacheado, para pessoas negras é uma forma de sustentar a própria existência. Usar um simples hidratante que não deixe a pele cinza ou esbranquiçada não é vaidade, é um direito. A história da beleza negra é uma história que começa com imposições e muita violência, passa pelas invenções, pelas revoluções até atingir a autonomia e a dignidade.
E este texto é apenas uma parte do caminho. Ele faz parte de uma série em que seguiremos aprofundando essas camadas, explorando como corpos negros reinventam cuidado, estética , liberdade e criam as próprias concepções de beleza.
No próximo artigo, continuamos. Te espero lá.

Sobre a autora
Jordana Barbosa nasceu em Anápolis e reside em Goiânia, Goiás. Doutoranda (Unicamp) e mestra em Antropologia Social (UFG), bacharela em Jornalismo (UFG). Pesquisadora, produtora cultural e escritora. Produtora e coordenadora de comunicação da série audiovisual Diaspóricas. Pesquisa sobre tradição oral africana na diáspora, estéticas negras, movimentos diaspóricos e literatura em conexão com a vida do povo negro.
Referências
BRAGA, AMANDA. História da beleza negra no Brasil: discursos, corpos e práticas. São Carlos: EdUFSCAR, 2021.
NARANJO, Javier. Casa das estrelas: o universo pelo olhar das crianças. São Paulo: Planeta, 2019.
XAVIER, Giovana. História social da beleza negra. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2021.
História da beleza negra: por onde começar?
Por Jordana Barbosa
Quando foi que você começou a se sentir bonita? Eu lembro que eu já era mãe e estava chegando aos 30 anos. Não foi de repente. Passei anos aprendendo como cuidar de mim; passei anos lendo e ouvindo outras mulheres negras pra aprender como ser uma mulher bonita, ou melhor, como aprender a me sentir uma mulher bonita. Beleza é um conceito inventado e, com esse breve histórico da beleza negra, você vai entender que todos nascemos lindos, mas muito rápido nos dizem que a beleza pertence a outras pessoas.
Quando penso na história da beleza negra, lembro da primeira vez em que percebi que meu corpo era lido de um jeito diferente, oscilava entre a falta (onde não se adequa) e o excesso (onde é hipersexualizado). O cenário tem mudado ao longo dos anos, mas quando eu era adolescente e observava revistas, propagandas, programas de TV e brinquedos, eu entendia que eu não pertencia e precisava fazer alguma coisa. Para muitas pessoas negras, esse momento de reconhecimento é íntimo, doloroso e solitário.
Segundo a pesquisadora Amanda Braga, beleza é um conceito, uma invenção que muda conforme o tempo, a política, a mídia, o consumo e a lógica colonial. Ela funciona como controle social, moldando a forma como enxergamos nosso corpo e o corpo do outro. E, como toda ferramenta de controle, também serve ao capitalismo. Quem tem mais de 30 anos viu isso acontecer de forma marcante: as próteses de silicone que dominaram os anos 2000 e agora são retiradas para dar lugar ao “natural”; a magreza extrema dos anos 1990; as harmonizações faciais; as lipoesculturas. Quem não se lembra das paquitas extremamente loiras dizendo às meninas negras que não tinha espaço para elas? É a ausência de pessoas negras apenas para confirmar o que as paquitas deixavam no ar.
O conceito de beleza é uma produção histórica, um produto da memória que vai ganhando significados ao longo do tempo da existência da humanidade. Ao longo dos séculos, a ideia de beleza foi utilizada para legitimar comportamentos e organizar hierarquias. No século XVIII, a beleza física era vista como reflexo de virtudes morais. O “belo” era bom e confiável; o “feio”, associado ao vício e à maldade. Mas se pensarmos nisso, uma pergunta inevitável surge: onde as pessoas negras se encaixavam nessas categorias?
A resposta já estava dada pelas estruturas raciais da época. No imaginário europeu, o corpo negro não era visto como civilizado e, portanto, não era visto como belo. O corpo negro era desejado como lugar do fetiche e da sexualidade alheios, não respeitado. O corpo negro era visto como lugar de força de trabalho, não como espaço para delicadezas. O mau cheiro associado ao corpo negro, mas afinal, esse era o corpo do trabalho e nada mais.
Saartjie Baartman - Vênus Negra , imagem disponível BBC News
Esse contraste aparece de forma evidente quando lembramos da pintura “O nascimento de Vênus”, de Botticelli, símbolo do ideal de feminilidade branca, pura e harmoniosa. Poucos séculos depois, surge a figura de Saartjie Baartman, conhecida como Vênus Negra — uma mulher sul-africana da etnia Khoisan, levada à Europa e exibida como espetáculo em feiras e zoológicos humanos. Após sua morte, seu corpo foi dissecado e exposto no Musée de l’Homme, em Paris. E a diferença entre os corpos das Vênus fica nítida e gritante. A autora ainda afirma que essa distinção demarca uma diferença racial em que o corpo negro é tomado como grotesco, monstruoso, anormal e selvagem em oposição ao corpo branco belo, civilizado e com virtudes morais. Aparentemente, a vinculação entre beleza e virtude era um evento conveniente e modulável.
Durante a escravidão, produtos de cuidados e higiene pessoais eram itens de luxo para pessoas negras. Sabonetes, shampoos, hidratantes eram raridades. O que chamamos de indústria da beleza, quando pensou na população negra, de vários países, se iniciou como um corretivo a compleição, ou seja, as características físicas e os cabelos africanos. Veja que, no final do século XIX e no início do XX, os produtos fabricados tinham como objetivo clarear a pele, fazendo com que ela fosse mais branca, limpa, sem defeitos. Já para os cabelos, eles precisavam ser lisos, domados, com “boa aparência”. Todos os esforços voltados para a aproximação do padrão de beleza branco, aqui já temos a certeza de que é um padrão inalcançável.
Entre 1900 e 1920, marcas como Pond’s, Palmolive, Lux, Bourjois e a futura Avon consolidaram a ideia de “nova beleza”, profundamente alinhada às teorias eugenistas. A brancura passou a ser vendida como sinônimo de saúde, pureza e progresso. Mas para mulheres negras, cuidar-se nunca foi apenas estética. Como afirma a pesquisadora Giovana Xavier, ter sabonete, perfume, espelho e água para se lavar após jornadas extenuantes de trabalho era, muitas vezes, uma pequena revolução pessoal — uma afirmação de humanidade num mundo que insistia em negar.
Giovana Xavier detalha um pouco o mundo da cosmetologia. Nos Estados Unidos, no pós-abolição, passou a existir uma “doutrina da integridade racial”, ou seja, uma pessoa negra teria que ser 100% perfeita, tanto em aparência quanto em comportamento. E, junto com isso, a ideia de que, se fosse atingido o padrão de perfeição, seria possível se integrar no mundo branco, ser aceito e até progredir financeiramente. Um dos passos para alcançar o objetivo seria corrigir a compleição, esconder os traços africanos e negar a própria identidade.
A indústria farmacêutica e cosmetológica vê uma grande oportunidade para lucrar. De acordo com a pesquisadora Giovana Xavier, nos Estados Unidos, as propagandas dos clareadores ou bleachings prometiam melhores oportunidades profissionais e as de produtos capilares falavam sobre uma imagem pública respeitável. Os produtos custavam entre US$ 0,25 e US$ 0,50 na véspera dos anos 1900. E ainda hoje essa indústria movimenta bilhões de dólares anualmente com previsão de atingir US$ 16,42 bilhões em 2032. E afinal, quem não quer ter melhores empregos e ser respeitada?
Essa busca estética teve um preço alto. Clareadores feitos com soda cáustica, mercúrio, amônia e outras substâncias agressivas causaram queimaduras, cicatrizes e mortes. A indústria culpava as consumidoras pelos danos, como se a necessidade social de parecer mais próxima do padrão branco não fosse a raiz do problema. O alisamento capilar, por sua vez, tornou-se quase obrigatório: mais do que estética, era estratégia de sobrevivência, uma forma de alcançar a chamada feminilidade “respeitável”.
Esse cenário começa a mudar com força a partir da década de 1960, quando o movimento Black is Beautiful explode nos Estados Unidos e reverbera pelo mundo. Cabelos naturais ocupam as ruas, o Black Power se torna símbolo político e a frase “Negro é lindo” inaugura uma virada estética e cultural. Mas essa virada também traz tensão: pessoas que passaram a vida inteira tentando se adequar ao padrão branco agora lidam com a possibilidade e principalmente com o medo de assumir sua negritude e ver uma nova geração assumindo a própria negritude de forma plena e com orgulho.
Movimento Black is beautiful, imagem disponível em Geledés
Não é uma coincidência que Black is beautiful ganha tanta força na década de 1960. É nesta década que os movimentos pelos direitos civis e pelas independências africanas ganham força, correm o mundo e conseguem aliados. É impossível se conseguir liberdade, ser independente se você quer se parecer com o seu algoz, seja em comportamento ou em aparência. Black is beautiful tinha como objetivo combater os padrões de beleza brancos e valorizar as heranças africanas. Ao mesmo tempo que causa uma grande revolução estética e um momento de profunda troca com o continente-mãe e, finalmente, a beleza negra começa a ser enxergada, desejada e importada pelas próprias pessoas negras.
No livro Casa das Estrelas, que é como um dicionário feito por crianças, organizado por Javier Naranjo, a palavra espelho é definida por crianças de 6 a 9 anos. As definições são às vezes filosóficas. Espelho é a sua “sombra”, mas pode ser também “quando uma pessoa vê o mesmo rosto”, ou, ainda, “o lugar onde olho minha beleza”. Quando você se olha no espelho e vê o mesmo rosto todo dia, você encontra beleza neste rosto que se apresenta e é revelado?
Lélia Gonzalez ao longo dos anos, imagem disponível em El País
Depois de sabermos que não existem coincidências ou aleatoriedade para definir o que é beleza, fica até fácil perceber que cuidar da aparência nunca foi simples para pessoas negras. O que, para outros grupos, pode parecer vaidade ou estilo, para nós sempre esteve atravessado por história, dor, resistência e sobrevivência. O que para algumas pessoas é moda, como usar o cabelo cacheado, para pessoas negras é uma forma de sustentar a própria existência. Usar um simples hidratante que não deixe a pele cinza ou esbranquiçada não é vaidade, é um direito. A história da beleza negra é uma história que começa com imposições e muita violência, passa pelas invenções, pelas revoluções até atingir a autonomia e a dignidade.
E este texto é apenas uma parte do caminho. Ele faz parte de uma série em que seguiremos aprofundando essas camadas, explorando como corpos negros reinventam cuidado, estética , liberdade e criam as próprias concepções de beleza.
No próximo artigo, continuamos. Te espero lá.
Sobre a autora
Jordana Barbosa nasceu em Anápolis e reside em Goiânia, Goiás. Doutoranda (Unicamp) e mestra em Antropologia Social (UFG), bacharela em Jornalismo (UFG). Pesquisadora, produtora cultural e escritora. Produtora e coordenadora de comunicação da série audiovisual Diaspóricas. Pesquisa sobre tradição oral africana na diáspora, estéticas negras, movimentos diaspóricos e literatura em conexão com a vida do povo negro.
Referências
BRAGA, AMANDA. História da beleza negra no Brasil: discursos, corpos e práticas. São Carlos: EdUFSCAR, 2021.
NARANJO, Javier. Casa das estrelas: o universo pelo olhar das crianças. São Paulo: Planeta, 2019.
XAVIER, Giovana. História social da beleza negra. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2021.